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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Colaboração com fornecedores é fundamental em cenários econômicos com o atual

É ela que faz os compradores aumentarem a porcentagem de compras de um fornecedor, desde que a relação seja confiável e se estabeleça uma vantagem mútua

Marcelo Pereira *

Publicada em 09 de outubro de 2017 às 14h21


    A colaboração entre empresas de uma cadeia de fornecimento merece ser cultivada e é a chave para promover uma convivência duradoura e promissora. A interação entre duas empresas alavancada pela tecnologia é o que facilita esse relacionamento trazendocompliance e governança.
Durante a crise de 2008, as previsões dos economistas apontavam para o desaparecimento das relações de longo prazo entre comprador e fornecedor, motivado pela briga para ver quem ficaria com a maior fatia do mercado.
A previsão, no entanto, se mostrou equivocada. Faltou antever que as cadeias de abastecimento conseguiriam cortar gastos e manter, ainda que a duras penas, suas margens de lucro. Ou seja, enquanto uma série de parcerias se deterioraram nesse período, a maioria sobreviveu à crise graças à fatores que vão além do aspecto puramente econômico, algo difícil de ser levado em conta, principalmente, nos momentos de estresse financeiro.
O fato é que a maioria das empresas resistiu ao período de recessão em virtude de políticas de redução de riscos e incertezas do ambiente, algo que se conquista com um bom relacionamento entre comprador e fornecedor.
A colaboração na mudança de cenário 
O cenário econômico atual mostra que os modelos tradicionais são menos propensos a funcionar. Para citar um exemplo, em 2010, uma grande empresa de tecnologia anunciou seu comprometimento em assegurar o mais alto padrão de responsabilidade social na sua rede de fornecedores. Porém, no mesmo ano, os jornais revelaram uma série de suicídios relacionados às condições de trabalho do fabricante chinês que produzia a maior parte de seus produtos.
O caso expôs falhas na auditoria das instalações, no cumprimento das normas de trabalho e regras ambientais. Se a situação tivesse sido detectada previamente, medidas preventivas teriam sido tomadas antes de causarem danos.
A visão da empresa, hoje, é outra, como se pode ver em seu relatório de políticas com fornecedores. No entanto, o que mais surpreendeu no caso foi que, apesar de dominar tecnologias de ponta no dia a dia, a companhia parecia ter se esquecido de fazer uma avaliação efetiva de seus de fornecedores e terceiros.
Usando o valor a seu favor
Os relacionamentos nas melhores cadeias de suprimentos são fundados na colaboração entre as empresas.
É a colaboração que faz os compradores aumentarem a porcentagem de compras de um fornecedor, desde que a relação seja confiável e se estabeleça uma vantagem mútua. 
Outra forma de construir um relacionamento colaborativo entre comprador e fornecedor é investir na redução dos custos operacionais e desenvolver inovações em produtos e processos.
colabora
Toda ação gera uma reação
Se antes o relacionamento comprador-fornecedor era considerado uma transação de caráter pontual, hoje ele está assumindo a necessidade de ser mais colaborativo. Apesar da prática ainda ser pouco empregada nas companhias brasileiras, algumas, visionárias, apostam pesado nessas alianças.
Como vimos, as possibilidades nesse campo são ilimitadas. Mas como esperar que a cadeia de suprimentos se comporte de forma colaborativa quando os acordos comerciais passam a mensagem contrária?
Acordos que sustentam princípios colaborativos intrínsecos se transformam, de forma natural, em contratos colaborativos, gerenciamento e compartilhamento de risco, incentivos e pagamentos justos.
Liderando pelo exemplo
Porém, não basta exigir mais eficácia nas ações dos fornecedores, se a liderança dentro da organização e da cadeia de suprimentos não demonstra isso.  Uma aliança comercial é mais do que um negócio selado. É uma conexão complexa entre empresas independentes, um organismo vivo que evolui progressivamente, junto com as possibilidades que oferece.
E, para mergulharem nesse universo, gestores precisam de algo a mais do que as habilidades específicas de rotina. Flexibilidade e abertura para enxergar vantagens particulares nas fronteiras comerciais, além de sensibilidade para assuntos políticos, culturais, organizacionais e, sobretudo, humanos, são imprescindíveis.
Para que isso aconteça, não basta ser colaborativo apenas no relacionamento entre empresas. É preciso, antes, haver colaboração interna entre diversos departamentos. A gestão de riscos e a governança necessita do envolvimento dos membros da alta administração, CEOs, CPOs, CFOs, integrantes do conselho, além das áreas operacionais como jurídica, compliance, recursos humanos, entre outras.
O processo ainda está começando a surgir no Brasil. Mas, no amanhã, as pessoas passarão a ver além do logo da companhia em um cartão de visitas. Elas enxergarão também as outras empresas que carregam com ela.


(*) Marcelo Pereira é diretor da área de Gestão de Fornecedores do Mercado Eletrônico
    Disponivel em:http://cio.com.br/opiniao/2017/10/09/colaboracao-com-fornecedores-e-fundamental-em-cenarios-economicos-com-o-atual/
    Acesso em: 13 de outubro de 2017

Gestão de Fornecedores


A importância da seleção de fornecedores no processo de compras

Renata Oliveira Lucindo Moreira
Compradora da CNH Latin America Ltda e pós-graduada em Administração de Compras pelo Ietec.



Resumo
O objetivo da função compras é conseguir tudo ao mesmo tempo: qualidade, quantidade, prazo de entrega e preço. Uma vez tomada a decisão sobre o que comprar, a segunda decisão mais importante refere-se ao fornecedor certo. Um bom fornecedor é aquele que tem a tecnologia para fabricar o produto na qualidade exigida, tem a capacidade de produzir as quantidades necessárias e pode administrar seu negócio com eficiência suficiente para ter lucros e ainda assim vender um produto a preços competitivos.
Segundo Bertaglia (2006) o processo de seleção de fornecedor não é simples. A complexidade aumenta em função das características do item ou serviço a ser comprado, pois as exigências podem ser maiores ou menores. O ato de comprar deixou de ser simplesmente o de efetuar uma cotação de preços. Há três características básicas que devem ser consideradas em um processo de decisão para se selecionar um fornecedor: preço, qualidade e serviço.
A importância da seleção de fornecedores no processo de compras
No contexto competitivo em que as empresas se encontram, faz-se necessário o desenvolvimento de diferenciais para sobrevivência em um mercado em constante mudança. Nesse cenário, os critérios de avaliação e seleção de fornecedores podem ser utilizados no contexto do gerenciamento da cadeia de suprimentos. A gestão efetiva desta cadeia consiste em vantagem competitiva para as organizações que a compõem. A concorrência acontece, pois, não mais entre empresas do mesmo ramo, mas sim, entre as cadeias de suprimentos e o seu correto gerenciamento (LANGENDYK, 2002).

De acordo com Martins (2005), com o decorrer dos anos, a seleção de fornecedores vem ganhando cada vez mais importância. O aumento no valor dos itens comprados em relação ao total da receita das empresas, a aquisição de produtos de outros países viabilizados pela globalização, a preços competitivos e a crescente velocidade de mudança de tecnologia, acompanhada por uma redução do ciclo de vida dos produtos, são alguns fatores que contribuem para o crescimento da seleção de fornecedores.

Para a seleção de fornecedores existem critérios que têm deixado de ser somente aqueles básicos, ou seja, o preço ao qual o fornecedor oferecia o produto, a qualidade do produto, que deveria atender à especificação mínima requerida pela empresa, e a velocidade de entrega do produto pelo fornecedor. O custo total de aquisição, que considera todos os custos associados à aquisição do produto; a qualidade total oferecida pelo fornecedor (não somente a qualidade mínima necessária); o serviço prestado pelo fornecedor, que além da velocidade de entrega passou a considerar a confiabilidade, o custo de transporte, a consistência e freqüência de entregas e a flexibilidade do fornecedor; a capacidade tecnológica e de processo do fornecedor; sua saúde financeira; e a estrutura e estratégia organizacional do fornecedor, estão entre os novos critérios que passaram a ser adotados. (GOFFIN et al., 1997 apud MARTINS, 2005).

Há vários fatores que influenciam na seleção de um fornecedor, tais como:
„X Habilidade técnica: O fornecedor possui habilidade técnica para produzir ou fornecer o produto desejado?
„X Capacidade produtiva: A produção deve ser capaz de satisfazer às especificações do produto de forma consciente, ao mesmo tempo produzindo o menor número possível de defeitos.
„X Confiabilidade: Ao selecionar um fornecedor, é desejável que se escolha um fornecedor confiável, reputado e financeiramente sólido.
„X Pós-venda: Se o produto tem natureza técnica ou provavelmente necessitará de peças de reposição ou apoio técnico, o fornecedor deve ter um bom serviço de atendimento pós venda.
„X Localização do fornecedor: Algumas vezes é necessário/recomendável que o fornecedor esteja próximo do comprador, ou pelo menos mantenha um estoque local. 
„X Preço: O fornecedor deve ser capaz de oferecer preços competitivos, não significando necessariamente o menor preço.

Segundo Slack et al. (1999) a definição de com quantos e com quais fornecedores a empresa irá trabalhar faz parte da estratégia de compras. A empresa poderá trabalhar com fornecedores exclusivos para determinados produtos (single sourcing), vários fornecedores para um mesmo produto (multiple sourcing); com uma rede constituída de poucos fornecedores diretos (de primeiro nível) e uma base maior de fornecedores indiretos, que "fornecem para seus fornecedores" (de segundo e terceiro níveis), ou pode trabalhar com fornecedores internacionais (global sourcing). A área de Compras deverá ponderar as vantagens e desvantagens de cada um dos modelos e selecionar o que melhor se adequar (ou os que melhor se adequarem) à estratégia e ao alcance da empresa. O tipo de relacionamento que a empresa pretende manter com os mesmos será também uma condição para a seleção dos fornecedores.

É preciso que o setor de compras mantenha uma base de dados extensa sobre fornecedores potenciais e que seja capaz de sugerir alternativas de materiais e serviços para serem considerados. Dentro do processo de compras, existem, segundo Pozo (2000, p.139), as seguintes atividades centrais:
„X Assegurar descrição completa das necessidades;
„X Selecionar fontes de suprimentos
„X Conseguir informações de preço;
„X Colocar os pedidos (ordens de compras);
„X Acompanhar (follow up) os pedidos;
„X Verificar notas fiscais (e romaneios respectivos);
„X Manter registros e arquivos;
„X Manter relacionamento com vendedores.

Na avaliação de fornecedores potenciais, alguns fatores são quantitativos, e é possível atribuir um valor monetário a eles. Outros fatores são qualitativos e sua determinação exige ponderação. Geralmente, são determinados de forma descritiva. 

A seguir, método de classificação, que pode ser utilizado para combinar esses dois fatores principais (quantitativos e qualitativos). Auxiliando o comprador a selecionar o melhor fornecedor:
1. Selecionar os fatores que devem ser considerados na avaliação de fornecedores potenciais.
2. Atribuir um peso a cada fator. Esse peso determina a importância de um fator em relação aos outros.
3. Atribuir uma pontuação para os fornecedores quanto a cada um dos fatores.
4. Classificar os fornecedores. 

Concluindo, o processo de seleção de fornecedores é de extrema importância no processo de compras. A seleção de fornecedores precisa ser a mais correta, pois caso aconteça o contrário, as necessidades de compras da empresa não serão perfeitamente atendidas e com isso afetará diretamente a demanda, a qualidade e a logística do produto a ser fornecido.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARNOLD, J. R. Tony. Administração de materiais : uma introdução / J. R. Tony Arnold ; tradução Celso Rimoli, Lenita R. Esteves. – São Paulo : Atlas, 1999.
BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento : São Paulo: Saraiva, 2006.
DIAS, Mario. Manual do Comprador : conceitos, técnicas e práticas indispensáveis em um departamento de compras / Mario Dias, Roberto Figueiredo Costa.—2. Ed. – São Paulo: Edicta, 2003.
LANGENDYK, Adriano. Estratégias de logística em uma empresa do setor automobilístico: o caso da Volkswagen-Audi no período 1996-2001. Florianópolis, 2002. 192 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção). Departamento de Qualidade e Produtividade, UFSC.
MARTINS, Rodrigo. Estratégia de compras na indústria brasileira de higiene pessoal e cosméticos: um estudo de casos. 2005 : Dissertação (Mestrado) – Instituto Coppead, UFRJ,Rio de Janeiro, 2005.
POZO, Hamilton. Administração de recursos materiais e patrimoniais, uma abordagem logística : São Paulo: Atlas, 2000. 195 p.
SLACK, N. et al. Administração da produção : São Paulo: Atlas 1999.
 Disponível em: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/277
Acesso: 13 de outubro de 2017.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Fornecedores precisam ser parceiros de negócio

Precisamos compreender a importância dos fornecedores e estabelecer uma relação sincera e verdadeira com eles.
Antes de discutirmos a importância dos fornecedores, vamos conhecer dois conceitos essenciais: processo e fornecedor.

Processo é um conjunto de atividades feitas para gerar produtos/serviços que atendam às necessidades dos clientes ou usuários.

Fornecedor é qualquer entidade, pessoa ou setor que fornece insumos (produto, serviço, tecnologia ou informação) ao processo em questão. Pode ser externo ou interno.

Quem é o responsável pela qualidade dos produtos e serviços prestados pela sua empresa?

Para entregar um produto ou prestar um serviço, as empresas usam insumos – que podemos simplificar chamando de componentes – vindos de fornecedores.
Veja o seguinte caminho, desde os fornecedores até o usuário:

Fornecedores > Insumos > Processo > Produtos/Serviços > Clientes/Usuários

Os fornecedores externos, assim como a força de trabalho (fornecedores e clientes internos), são importantes para o resultado final: cliente atendido, satisfeito e fidelizado. Vamos tratar inicialmente de fornecedores externos.

Precisamos compreender qual o papel dos fornecedores em nossa empresa. Que tipo de relação devemos ter com fornecedores para que tenhamos um melhor resultado? Qual a real importância deles no nosso processo?

Veja os itens a seguir para entender melhor como estabelecer essa relação:

  • Tenha uma relação sincera e verdadeira com seus fornecedores;
  • Compartilhe suas necessidades, expectativas, problemas e medos desde o primeiro contato com ele;
  • Mostre a importância dele no processo da sua empresa;
  • Defina em conjunto critérios de qualidade para um bom fornecimento;
  • Mantenha-se informado sobre o que ficou estabelecido pelas duas partes e aja com objetividade;
  • Dê retorno constante sobre o que está percebendo, tanto positivo quanto negativo.
Lembre-se de que o fornecedor é um fator crítico de sucesso dos seus produtos e serviços, ou seja, inclua-o com carinho no seu negócio. Você e seus fornecedores só têm a ganhar!
Disponível em: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/fornecedores-precisam-ser-parceiros-de-negocio,9fb8d1eb00ad2410VgnVCM100000b272010aRCRD
Acesso em: 18 de setembro de 2017.